[One-Shot] Um nome... Uma vida

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[One-Shot] Um nome... Uma vida

Mensagem por J-Chan em Qui Ago 11, 2011 8:27 am

Estava eu a ouvir uma música dos Nightmare (Lost in Blue) - e uma vez mais - tive uma ideia para uma fic. Acho que até nem está muito má, no entanto como podem ver pelo titulo é uma one-shot.
Espero que gostem dela. Fico à espera de reviews =D

Boa leitura =D





Das árvores caem as folhas, a ríspida chuva de Outono abate o solo já húmido da manhã. O verde desaparecera fazia já um tempo, agora prosperava o doce castanho, cor simbólica do Outono.

O frio abraçava a pequena menina de longos cabelos negros e olhos azuis marinhos de vestido preto.

Encontrava-se num cemitério, fixava uma sepultura sem nome. Era-lhe estranho. Porque haveria ali uma sepultura sem nome? Será que aquela pessoa morrera sozinha? Afinal de contas… Não tinha nome… Que tipo de familiar ou amigo o teria deixado morrer e nem se dar ao trabalho de dizer qual o nome dele, do falecido?
Lágrimas escorrem dos olhos da pequena, mas… porque chorava?! Porque chorava uma menina que de nada sabia do mundo? Porque chorava ela por causa de alguém que nem um nome tinha?

Foi essa a questão que me fiz a mim própria quando a vi, ali, em pé à frente daquela sepultura.

Porque será que ela se mantinha ali.

Do lado de fora do cemitério, quando ia para a escola sempre a vi ali. Não importava se chovia ou fazia frio, ou se até estivesse muito calor. A menina todos os dias estava lá, a chorar, sozinha. Comecei a notar que ela usava sempre o mesmo vestido. Um vestido que lhe dava pelos joelhos e de mangas, um vestido de um negro único, onde facilmente no perderíamos.

Hoje, entrei no cemitério. Já não aguentava mais. Não conseguia mais vê-la naquele sofrimento, e ainda por cima À chuva.

Acerquei-me da pequena.

Que estranho… Pensei para comigo. Não está molhada. E não é mentira nenhuma! A menina não estava mesmo molhada! Era como se a chuva, com tanta pena dela, decidira que não a molharia.

Fiquei durante uns instantes a observá-la, ela estava de costas para mim. Não dava para ver se chorava, ela não era como a maioria das pessoas, não soluçava enquanto chorava, o seu choro era de certo modo muito silencioso. Não falei. Não sabia que dizer. Tinha ido ter com ela pois tinha medo que apanhasse algum tipo de constipação ou algo do género, mas agora não sabia que fazer.

A chuva acabou por cessar. O Sol, temeroso, apareceu finalmente. No entanto, não era tão quente como ao que senti naqueles longos e doces meses de verão. Mas isso agora não importava. Nem sequer sei porque pensei em algo tão idiota como isso. Agora o importante era aquela menina que ali chorava e parecia não arredar pé.

Aproximei-me mais um pouco dela, metendo-me ao seu lado admirando a sepultura, tentando ver o que é que ela tinha de tão especial. A menina, não pareceu importar-se. Aliás… Acho que ela já se tinha apercebido mim desde que eu me pusera atrás dela.

Não sei porquê, mas sabia-o. Ela sempre se apercebera da minha presença, até mesmo quando só a admirava quando ia para a escola.

Decidi então que já era hora de falar, mas antes que pudesse dizer o que quer que fosse, uma voz doce, gentil, meio triste, mas suave como à dos pássaros perguntou:

-Porquê? – a menina falara sem desviar o olhar da sepultura.

Não percebi ao certo ao que ela se referia. Porquê o quê?

Matutei naquela questão durante uns segundos mas logo desisti e perguntei:

-A que é que te referes? – não desviei o olhar da sepultura.

-Porque é que se não lhe deram nome? – perguntou a menina reformulando a pergunta.

Admirei-me com a pergunta da menina, continuei sem a fixar, no entanto, a pergunta dela batera-me forte no coração.

De certa forma… Porque não teriam dado um nome àquela pessoa que ali jazia? Mas ainda mais estranho era, porque é que uma menina daquela idade pensava e sofria por causa disso? Isto de certa forma bateu-me forte no coração.

Eu sei que ainda só tinha 18 anos e que estava a acabar o secundário, olhei bem para dentro das minhas memórias e recordações e facilmente cheguei À conclusão que nunca vira ninguém interrogar-se com um problema daqueles.

A verdade é que naquele cemitério existiam muitas sepulturas sem nome, faz umas décadas que ali, naquela cidade, houvera uma guerra. Muitas pessoas morreram e algumas chegaram a não ser identificadas. Quem sabe… Não teria sido esse o problema e talvez o fundo da questão. No entanto… todas as pessoas daquela zona sabiam disso. Seria a menina nova por aquela zona e desconhecia aquela história?

Abaixei-me para ficar ao nível da rapariga, no entanto, fixando ainda a sepultura negra como o carvão.

-Bem… Às vezes… Não se sabe… Não se consegue reconhecer a pessoa… Não a conseguem identificar. Ou porque não encontram ninguém que possa conseguir identificá-la ou porque pura e simplesmente é irreconhecível… Coisas desse género podem acontecer… - disse eu tentando explicar-lhe da melhor forma possível para que percebesse.

Sinto que suspira. A pequena suspira, mas não se de quê. Seria alívio? Ou seria tristeza?

-Obrigada senhora… - disse-me a menina numa voz amargurada.

Afinal o suspiro tinha sido de tristeza.

Não consegui me conter… Acabei por ter de perguntar:

-Porque te preocupas tanto com isso? – perguntei à pequena num tom preocupado.

É verdade! Eu não consigo perceber! Porque haveria alguém tão novo de se preocupar com algo como aquilo?! Algo como a morte?!

Pela primeira vez ela fixa os olhos em mim, aqueles olhos azuis inexistentes no mundo, só ela os possuía, tão grandes e brilhantes e ao mesmo tempo tão profundos. Pareciam tão antigos, como se aquela menina na verdade fosse muito velha. O azul dos olhos intensificava-se ainda mais devido ao contraste que faziam com aquele seu cabelo negro, tão negro e belo quanto o vestido. Então, naquela sua voz doce ela respondeu-me:

-Preocupo-me porque quem jaze aqui… Sou eu. – respondeu-me.

Não acreditei. Não há primeira. Não me cabia no cérebro. Arregalo os olhos em espanto, espasmo e incredibilidade. No entanto, repenso outra vez na sua resposta.

Mas então… Se isso for verdade… Então ela é um fantasma! Pensei ainda pasmada e sem querer acreditar. No entanto não me afasto dela. Volto a fixar a sepultura agora com os olhos não tão abertos de admiração.

-Como te chamas? – perguntei sem pensar, mas de certa forma tinha de o fazer.

Desta vez foi a vez dela de arregalar os olhos. No entanto respondeu-me sem quaisquer problemas.

-Alene, Alene Ciaran. – proferiu ela uma vez mais naquela doce voz.

Sem pensar retirei o corrector do estojo e dirigi-me para a sepultura. Escrevi lá o nome dela.

-Alene Ciaran… - murmurei enquanto escrevia aquele nome de certo modo encantador, assim com a sua dona.

Durante aqueles segundos que levei a escrever senti o olhar supreso dela sobre mim e sobre o meu acto.
-Pronto! Já toda a gente sabe que esta és tu. – disse num tom animado olhando a pequena ternamente.

De repente senti uns braços pequenos, suaves e quentes rodearem-me o pescoço e o meu ombro ficar húmido.

Deixei-me estar, envolvendo uns segundos depois o pequeno corpo dela com os meus braços. Quando ela voltou-me a encarar sorria. Estava feliz.

-Obrigada. Muito obrigada. – disse-me entre lágrimas de felicidade.

Em resposta só consegui sorrir, e disse-lhe então.

-Nunca te vou esquecer. – disse – A partir de hoje virei todos os dias ver-te. Como o tenho feito até hoje . – admiti.

Mais uma vez ela sorriu, e mais lágrimas de felicidade escorreram-lhe pelos olhos azuis.

-Obrigada. – repetiu.

E de repente… Desapareceu! Só consegui ver ela a transformar-se em partículas de luz e ir em direcção ao céu.

Cheguei a casa um pouco confusa, mas de uma coisa tinha a certeza. Jamais me esqueceria dela e da promessa que lhe fizera. Por isso, se me vires todos os dias à frente de uma sepultura cujo nome foi escrito a corrector, então já sabes porque o faço, faço-o em memória àquela menina de longos cabelos negros e olhos azuis como safiras chamada Alene Ciaran.




Bom, espero que tenham gostado, aconselho desde já a ouvirem a música Lost in Blue dos Nightmare, é uma música maravilhosa muito tocante, eu pessoalmente fico sempre muito emocionada de cada vez que a ouço. Aposto que aqui o povo vai gostar de a ouvir. Passem bem! =3

Nota: COMENTS SÃO MAIS QUE BEM VINDOS!!!!!!!!!!!

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Re: [One-Shot] Um nome... Uma vida

Mensagem por Shiryu em Qui Ago 11, 2011 9:04 am

Gostei da musica j-chan, e o one-shot também esta ótimo, gostei da historia meio que simples, mas misteriosa, e tem um clima legal, quero ler mais.

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Re: [One-Shot] Um nome... Uma vida

Mensagem por Mimy-chan em Qui Ago 11, 2011 4:55 pm

Já sabes que eu gostei, mas vou comentar.
Pena ser one-shot, queria mais.

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Re: [One-Shot] Um nome... Uma vida

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